Walter Muller é destaque na Casa Brasileira

O artista e médico Walter Muller é um dos destaques do mês de maio na Casa Brasileira. A partir de domingo (06.05) até o dia 13 de junho, a exposição “Na Diversidade, o Encontro de Corpos” está aberta à visitação. 

À iniciativa vem da parceria entre à Casa Brasileira/Instituto Mpumalanga e o Instituto Candeias que viabilizou a exposição de Muller. Doralina Rodrigues, presidente do Instituto Candeias, dá as boas vindas ao artista.

“Na diversidade, o Encontro de Corpos” – O artista Walter Muller estabelece com suas obras, uma condição de relação entre diferentes corpos ultrapassando os limites da condição social, da cor da pele, de escolhas religiosas, das origens étnica e geográfica, das direções sexuais, dos gêneros. Esta exposição evidencia que é possível ser construída entre nós, uma outra condição de fraternidade e uma nova sociabilidade livres de preconceito e discriminações, que nos levem a uma afirmação da vida através de uma ética dos bons encontros. Podemos nos perguntar: as várias subjetividades expostas afetam a quem entra em contato com elas, ampliando a sua percepção e a sua potência em relação a si mesmo e ao outro? Compondo-se uns com os outros, tais corpos singulares se misturam com o público – corpo social -, configurando uma experimentação ativa, entrecriando um fecundo encontro. Organizar conversações afirmativas e alegres e interativas oficinas de pintura, contando com a co-visão do artista Walter Muller, é o que estamos propondo para que estas possibilidades se efetivem. Bons encontros! Instituto Mpumalanga Instituto Candeias”- Dora Rodrigues /Instituto Candeias. 

Conversamos com o artista sobre suas experiências, pensamentos e motivações que o levaram às obras que compõe à exposição. Confira!

(Casa Brasileira): “Na Diversidade, o Encontro de Corpos” é o nome da exposição. O que ela quer comunicar ao público?

(Walter Muller) – “Nós queremos dizer com essa exposição, da necessidade de enxergar que debaixo das nossas peles e cores diferentes habitam biologias e desejos muito semelhantes. Queremos dizer que o encontro de corpos é possível dentro dessa diversidade, já que culturas isoladas não sobrevivem e que todos nós não podemos ser puristas, podemos ter religiões, culturas diferentes, pensamentos diferentes, mas que todos eles são fruto de uma amálgama milenar de misturas culturais, então esse é um grande convite para que – dentro dessa estranheza que pode causar esses corpos com essas escolhas culturais e de vida pela felicidade do encontro e dessa riqueza.”

(CB): Como é o seu processo criativo?

(WM): “O meu processo criativo envolve várias pesquisas, eu atualmente, por exemplo, estou fazendo uma pesquisa voltada para a questão da luz e das sombras,  a diferença entre o claro e o escuro, e as possibilidades do encontro e do choque entre a luz e o escuro. Eu trabalho muito com óleo, com acrílica, com aquarela, trabalha com pastel, com carvão, eu sou muito do desenho e da pintura, e sempre estou voltado para os temas que possam trazer alguma coisa de uma certa estranheza, e de um convite para que as pessoas possam se debruçar muito mais dentro da possibilidade de contemplação, do silêncio, e daquilo que pode impactar, um momento de contemplação.”

(CB): Você é médico. A prática da medicina tem alguma influência na sua obra?

(WM): “Claro que como médico tive uma tremenda influência porque tive a possibilidade de ter um convívio íntimo com os corpos, eu dissequei cadáveres, e a minha prática diária é desse encontro, desses corpos adoecidos, os corpos com dor, corpos feridos e que são todos dessa essência humana de que eu estou falando. Então eu tenho uma intimidade com a anatomia, com a vida, com a doença, com a morte – eu tenho que lidar com ela como médico, e isso me traz uma intimidade para poder trazer esse tipo de reflexão. Então eu sou uma pessoa apaixonada pela questão da figura humana,  não tem dentro dos meus quadros nada, ou é muito raro você encontrar dentro da minha obra toda, quadros que não tenham a poesia da figura humana.”

(CB): A exposição é uma parceria com o Instituto Candeias, como é essa parceria?

(WM): “O Instituto Candeias foi fruto de todo um sonho, de todo um trabalho que vem de muitos anos de pesquisa de arte que eu e Doralina – presidente do Instituto -, fizemos nas nossas várias viagens, principalmente pela Europa, e em toda nossa trajetória em museus, igrejas, arquiteturas. E nasceu do fruto de um encontro feliz no Museu da Suíça, no Museu de Arte Bruta, em que nós vimos a possibilidade rica de também trabalhar com a idéia de que existe uma série de artistas que a gente chama de “incomum” e que traz uma carga tremenda de força artística e de produção criativa muito longe das academias, e que muitas vezes nem sequer se designa como artistas, mas que são artistas incríveis. Então o Instituto Candeias tem um pouco essa cara, de trazer a questão da arte para um universo muito mais amplo do que o das academias, e de promover a arte nas suas diversas vertentes. E eu estou nessa vertente, e também faço parte desse Instituto pelo tipo de pesquisa que eu estou promovendo, e pelo fato de seguir um caminho muito próprio dentro da arte, e dessa base rica que me favorece dentro do meu trabalho.”

(CB): Que mensagem você deixa à Casa Brasileira e ao público que visitar e conhecer de perto suas obras?

(WM): “Para todos àqueles que vierem à Casa Brasileira para essa exposição eu deixo a seguinte mensagem: da minha alegria de poder participar de uma exposição num lugar tão interessante, tão rico, que tem uma identidade que me agrada profundamente, e de como é bonito, e como nos favorece um ambiente com esse dom, de um de um trabalho todo voltado também à cultura popular, de uma arquitetura bonita, de um edifício que ajuda a compôr essa questão da obra. E quero dizer para todos as pessoas que estiverem nessa exposição, que possam dedicar um momento de reflexão à nossa história, ao nosso passado, às nossas possibilidades desse amálgama rico que somos nós brasileiros, de poder olhar com amor à diferença, de poder construir um país e um povo que não só respeita, como ama às suas diferenças que são suas maiores riquezas. Como diz a música dos Titãs: “Riquezas são diferenças”.

“Na Diversidade, o Encontro de Corpos” – Por Walter Muller

De 06.05 até 13.06 – na Casa Brasileira

De terça a sábado das 14h às 21h e domingo das 15h às 20h.

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