A Nigéria de Chimmamanda Adichie, no Todas por Elas

Todas por Elas na Literatura terá, neste mês de março/2019, na Casa Brasileira, a leitura comentada do livro Hibisco Roxo,  de Chimmamanda Ngozi Adichie. 

 

Janaína de Figueiredo, antropóloga e curadora literária do Todas por Elas na Literatura, explica que “o texto, ao trazer a Nigéria e as suas micro relações sociais, nos alerta para os perigos de uma história única. Existe uma única história? Ou várias? Como elas são contadas? Por quem? Talvez essas perguntas sejam o fio condutor desse livro”.  Janaína destaca uma frase da autora, para apontar a complexidade do debate : “Quando rejeitamos a história única, quando percebemos de que nunca há uma história única sobre nenhum lugar, reconquistamos uma espécie de paraíso”.

A mediação do encontro de leitura será de Shirlei Costa Rodrigues,  professora e conselheira de cultura negra do Conselho Municipal de Cultura de São Sebastião.

Shirlei C. Rodrigues

 

Shirlei Costa Rodrigues é professora e conselheira de cultura negra do Conselho Municipal de Cultura de São Sebastião.


Serviço: 

Todas por Elas na Literatura –  próximo encontro 
Dia 19/03/2019 –  terça-feira 
Horário:  19h 
Mediação:  Shirlei Costa Rodrigues

Local:  CASA BRASILEIRA
 End: Av. Dr. Altino Arantes, 80
Centro – São Sebastião-SP

 

 

Malala e a luta das mulheres pela educação

Com mediação da antropóloga Priscila Enrique de Oliveira, o Todas por Elas na Literatura de fevereiro/2019 reuniu 24 pessoas na Casa Brasileira, entre mulheres e homens,  para uma reflexão sobre como a jovem paquistanesa  Malala Yousafzai se viu diante da tarefa de lutar pela educação das meninas.  Uma saga que quase lhe tirou a vida e que, agora, coloca Malala diante de uma ação que extrapola as fronteiras do seu país, do qual foi exilada. A mais jovem Premio Nobel da Paz sofreu um atentado a tiros quando voltada para casa num ônibus escolar, em 9 de outubro de 2012.  O ataque foi desferido por membros do Talibã, contrário à educação das mulheres.  Na época, com 15 anos de idade, Malala já defendia publicamente o direito das meninas de seu país à educação.

 

 

Veja o comentário de Janaína de Figueiredo, curadora literária do Todas por Elas, sobre o debate em torno do livro Eu Sou Malala. 

 

EU SOU MALALA – por Janaina de Figueiredo

No nosso último encontro, no Todas Por Elas na Literatura, percorremos pelas páginas do livro Eu sou Malala. Lá, nos deparamos com um outro universo feminino, nem tão desconhecido assim como imaginávamos. Esse mundo nos foi apresentado pela autora paquistanesa, Malala Yousafzai. Escrito em primeira pessoa, o texto narra não apenas a vida da autora, mas a sua luta pelo acesso à educação, à escolarização das meninas e mulheres do Paquistão. O grupo refletiu sobre o patriarcalismo, o fundamentalismo e os traços de violência que marcam a sociedade paquistanesa na atualidade. Por outro lado, também nos fez pensar que essa realidade, apesar das suas especificidades históricas e culturais, não está tão longe assim do Brasil. 

Algo que nos tocou foi o contato, que a leitura nos possibilitou, com o Oriente. Muitas vezes, nós ocidentais ou ocidentalizados, criamos imagens deturpadas e estigmatizadas sobre o Oriente. Ao ler Eu sou Malala, percebemos o quanto essa região nos é desconhecida ainda. A cada página fomos mergulhando na história do Paquistão. Vimos o processo de institucionalização da misoginia nesse país e seus desdobramentos para a vida de muitas mulheres, sobretudo mulçumanas. Entendemos como o Talibã surge e se dissemina na sociedade. O nosso texto coletivo, oral e dialógico, foi sendo tecido com muitas vozes femininas e masculinas. Com a brilhante mediação de Priscila Enrique, nossa segunda-feira chuvosa se refrescou com a escrita de Malala Yousafzai”.  

 

Janaina de Figueiredo é pós-doutoranda em antropologia pela Universidade de São Paulo e escritora de livros infantis