Bordados e mulheres são valorizados na Casa Brasileira

Mulheres revelam mulheres em seus bordados. | Foto: Reprodução.

No próximo domingo (17) uma participação da cantora Mariene de Castro, entre outras atrações, marca a abertura da Casa Brasileira em São Sebastião, um espaço do Instituto Mpumalanga dedicado à arte e a cultura no Litoral Norte de São Paulo. No dia seguinte, o público já poderá desfrutar da casa no Centro Histórico do município, com uma série de exposições que proporcionam uma imensão no universo cultura que forma a identidade brasileira. Dentre as exposições, os bordados terão seu espaço por meio da Elas Alinhavos no Tempo.

A reunião de bordados, exposta em parceria com o Instituto Candeias traz essa arte para que haja o reconhecimento de seu merecido valor, de um saber que foge às academias, mas não à arte genuína dessas mulheres bordadeiras. O grupo denomina-se Mãos de Ariadne.

Para a exposição na Casa Brasileira foram reunidos 12 bordados de mulheres brasileiras que merecem um reconhecimento por sua história e contribuição para a sociedade. “São mulheres à frente de seu tempo, mulheres revolucionárias no sentido da mudança que eles trazem a partir de sua atividade”, explica Doralina Rodrigues de Carvalho, presidente do Instituto Candeias, que colabora com o Instituto Mpumalanga nessa primeira fase da Casa Brasileira.

Nas linhas das Mãos de Ariadne surgem mulheres como Dandara dos Palmares, Maria Quitéria, Chiquinha Gonzaga, Tarsila do Amaral, Cora Coralina, Olga Benário, Pagu, Cacilda Becker, Maria Bonita, Rute Pinto de Souza, Clarice Lispector e Lia de Itamaracá. Apesar de representarem áreas e fases diferentes da história, todas elas alcançaram uma trajetória transformadora e inspiradora, inclusive para as mulheres que produzem esses bordados. Essas histórias poderão ser conhecidas na Casa Brasileira.

Das mãos nascem histórias. Elas serão contadas pelos bordados na Casa Brasileira. | Foto: Reprodução.

O destaque nessa exposição não está somente na rica história das mulheres estampadas nos panos, mas no enredo que se esconde por traz das linhas, exatamente nas mãos das bordadeiras. Donas de um saber igualmente grandioso, elas produzem o que Dora gosta de chamar de arte em comum.

“É uma arte que não passa por um sistema de academia. Elas produzem arte em suas casas, não é uma arte que passa pela escola. Elas criam a partir de um encontro coletivo, que passa a fazer o bordado com conversas e criação, não são artistas convencionais”, explica Dora. O Instituto Candeias associa a arte aos conhecimentos de filosofia e literatura e o termo arte em comum vem de 1981, quando foi adaptado do conceito de arte bruta, da Europa.

Outro destaque para essa exposição é sua ligação com a modernidade e a luta pelo espaço da mulher através das representações nos bordados. “Também há a valorização daquilo que se produz à margem, mulheres que fogem ao padrão de dona de casa. Elas são arrojadas, avançadas e criativas, com grande singularidade, assim são as bordadeiras”, sintetiza Dora.

A Casa Brasileira passa a funcionar no dia seguinte a sua inauguração, das 10h às 21h, excepcionalmente em um segunda-feira (18). Nas demais semanas nossa programação cultural fica disponível para visitação de terça à domingo, nesse mesmo horário. No domingo de Natal (24) a Casa Brasileira não irá funcionar.

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