J. Velloso e Marine de Castro cantam juntos

Um homem de fala mansa, que acalma. Um artista potente com referências de raízes baianas, nordestinas, verdadeiramente brasileiras. J. Velloso, é o convidado mais do que especial para encantar o público de São Sebastião, na Casa Brasileira, neste final de semana.


  J. Velloso é compositor, cantor, produtor musical, diretor artístico e agitador cultural. Começou sua carreira artística há 34 anos. Suas canções estão na voz de artistas como Maria Bethânia, Gal Costa, Daniela Mercury, Beth Carvalho, Jorge Vercillo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Joana, Zezé Mota, Vânia Abreu, Belô Velloso, entre outros. Como produtor musical, foi responsável por vários discos, como “Diplomacia”, de Batatinha (contemplado com o Prêmio Sharp, em 1999), “Humanenochum”, de Riachão (indicado ao Prêmio Grammy, em 2002) e de D. Edith do Prato e Vozes da Purificação, com o mesmo nome (contemplado com o Prêmio Tim de Música, em 2004). Em 2005, o CD “Abre Caminho” da cantora Mariene de Castro, vencedor como o Melhor Disco Regional no Prêmio TIM.Em 2007 foi indicado ao Prêmio Tim de Música, na categoria “Melhor Canção” com “Kirimurê”, interpretada por Maria Bethânia no CD “Mar de Sophia”. Em 2008 concorreu no “Festival Nacional Vale Curtas” em Petrolina/PE, na categoria “Melhor Videoclipe” com o videoclipe “Santo Antônio” (CD Aboio para um Rinoceronte – 2004). Em 2013 J. Velloso recebeu título de Embaixador da Paz na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Viena/Áustria, das mãos do Dr. Peter Haide, Presidente da Confederação Mundial da Paz e Membro Oficial da ONU. Foi também diretor artístico de shows como “Ela Disse-me Assim” de Gal Costa e “Canibália”, de Daniela Mercury em Cabo Verde.

Sábado (09.06) na Casa Brasileira:

A partir das 14h – Abertura ao público da Mostra e Roda de Conversa: “Cultura e Religiosidade na canção brasileira”. Diálogo artístico com o compositor baiano J. Velloso e com a cantora Mariene de Castro com músicos locais.  Entrada gratuita.

Às 20h – Show de J. Velloso com participação especial de Mariene de Castro – “Não Sei se Te Contei” – ingressos R$ 40,00 com renda revertida para os projetos sociais do Instituto Mpumalanga e Casa Brasileira.

Local: Casa Brasileira – centro de artes e cultura do Instituto Mpumalanga – visitação gratuita – Av.Dr. Altino Arantes, 80 – Centro – São Sebastião (SP) – (11) 9 98388794 – Apoio Pousada da Sesmaria 

Nas linhas abaixo, um bate-papo exclusivo com o artista que visita  e canta na Casa Brasileira, neste final de semana. Imperdível. Muito obrigada à J. Velloso!

Casa Brasileira: Quais as referências e inspirações do seu novo cd?

J.Velloso: “Referências da minha formação, do período que eu nasci onde eu fui vendo o Brasil que era, o que foi passando a ser, o momento de grande esperança, e agora essa situação de desespero… mas sempre vendo a música e a arte em geral como mecanismos de tentar sinalizar ou melhorar a sociedade. E as inspirações que eu tenho continuam sendo isso, o amor que eu tenho pelas coisas, pelas pessoas, pela minha cidade, pela minha família, pelo desejo de uma sociedade mais harmoniosa, alguma tentativa que às vezes com grito de guerra isso possa ajudar a transformar, ou às vezes com mais leveza, mas a inspiração é que de alguma forma possa ajudar a melhorar alguma coisa, com uma pessoa que ouça o disco ou uma música.”

CB: O Show na Casa Brasileira será o primeiro depois do lançamento do cd, o que você está preparando para o público?

JV: ” Vai ser uma apresentação super prazerosa porque vai ser no meio de dois amigos que é Mariene de Castro e Raimundo Nova, e de uma forma simples onde a música fica bem nua somente com o acompanhamento de um violão, ou de uma guitarra e conversando um pouco. Mas mostrarei também músicas de outros discos e algumas desse disco novo, porque é uma oportunidade de mostrar meu trabalho de uma forma mais geral, mas vamos ter coisas de “Não sei se te contei”, ” Aboio para um rinoceronte”,   “J. Velloso e Cavaleiros de Jorge”, e as músicas também que constam no livro, quem tem um cd, que é o livro “Santo Antônio e Outros Cantos”, mas é meio com a intensão de contar um pouco não a minha história, mas de tentar mostrar onde o meu coração já passeou”

CB: Você vai participar também da abertura da “Mostra Santo Antônio – Olhares da Arte Sobre a Tradição” na Casa Brasileira, e em 2010 você lançou o livro “Santo Antônio e Outros Cantos” com 7 canções. O que você nos conta sobre esse tema?

JV: ” A gente está nesse período que aqui na Bahia, no recôncavo, no nordeste em geral, é muito importante, forte, e presente na vida da gente, que são as festas juninas, iniciando com Santo Antônio, passando por São João, chegando até São Pedro. Então é um momento muito forte para nós aqui do nordeste, e poder levar isso para São Paulo é um prazer maior ainda. Porque o Brasil é tão grande, e com tantas coisas diferentes e boas, né?  É bom quando a gente tem oportunidade pra descobrir coisas boas no Brasil que tem em todo lugar, porque é muito cansativo ficar vendo jornais, matéria na TV, só falando de coisas negativas da gente. Sinceramente tem essas coisas negativas, estamos nessa situação delicada, mas acredito que essas coisas negativas dêem mais ibope do que as coisas boas que acontecem aqui no Brasil. Temos que lutar contra essas coisas ruins, e dar visibilidade para as coisas boas que existem no nosso país.

Esse livro “Santo Antônio e Outros Cantos” foi um convite de um editor de livros aqui da Bahia, Fernando Alberlandi, para que eu fizesse um disco sobre Santo Antônio, só com músicas de Santo Antônio,  mas isso não era muito verdadeiro porque quando eu componho falando de ligação com alguma coisa religiosa, é muito misturado com o sincretismo religioso, e ele queria uma coisa muito ligada à Santo Antônio, e eu já tinha feito mais três músicas além da Santo Antônio – que é mais conhecida -, para Santo Antônio a pedido de pessoas lá de Santo Amaro, como Nené, minha tia, que foi quem me pediu para fazer essa música. E aí ele me convidou, e como também a gente vai vivendo e vai criando crises em várias coisas, inclusive com o lado religioso, eu fiz um disco que ele todo são sete canções, dessas sete, seis canções são religiosos, e uma outra canção que é quase meio profana porque de certa forma questiona a crença e a fé, que é “Calmaria” foi até gravada por Maria Bethânia, e essa eu quero fazer aí na Casa Brasileira também.

CB: Esporte e arte estão na sua formação desde a infância, quais as influências que te acompanham até hoje dessas duas áreas?

JV: Futebol é uma coisa que eu adoro! Eu na realidade  – quando criança -, queria ser veterinário e acabei me formando, sou veterinário, mas sempre gostei de futebol e achei que fosse ser jogador de futebol. Tenho amigos que se tornaram jogadores de futebol, vários, e tenho um super amigo e um super jogador que é o Bebeto, campeão do mundo, Bebeto Gama é um irmão querido meu.  Eu jogava muito bola, a gente tinha um time que era praticamente imbatível aqui em Salvado naquela idade de 15 anos eu acredito, fui vice-campeão baiano, participei de peneiras para jogar no Bahia – não retornei porque naquela época não tinha muito incentivo das famílias para que você se tornasse um jogador de futebol, como também há muito tempo atrás não existia muito incentivo pra ser artista, cantor, músico, isso era uma coisa meio marginal, principalmente na época de Bethânia e Caetano. Não era todo mundo que era bem visto por estar envolvido com música e mais para trás pior ainda, e jogador de futebol também. Hoje os pais fazem um investimento botando crianças em escolinhaS de futebol, de música,  o que é muito bom porque qualquer envolvimento com arte o esporte faz bem a qualquer ser humano, mas essas duas áreas continuam, sempre que posso ainda jogo meu “babinha” – aqui a gente chama “baba” não chama “pelada”, eu pego um “babinha” com os amigos, quando tem o pessoal da minha época que eu encontro. Bebeto a última vez que esteve aqui com os irmãos me chamaram também. São coisas boas porque tanto a arte quanto o esporte fazem você entrar no mundo e conviver em situações muito particulares,  e uma noção de grupo né? Futebol é um esporte bom porque faz você  pensar em coletividade e isso é muito importante, porque o individualismo não é uma coisa muito legal, principalmente em relação de olhar para a sociedade, temos que pensar muito no outro”.

CB: J. Velloso, seja bem-vindo à Casa Brasileira, estamos ansiosos em te receber!

J.V: “Estou muito feliz em ir à São Sebastião, já via as fotos, é um lugar lindo. Estou muito contente de mostrar meu disco que estará também o disco físico aí a disposição para quem quiser adquirir. Pra mim estar envolvido com música é uma comemoração, é uma festa, estar entre pessoas que gostam de música, que gostam de prestar atenção às músicas, estar conversando com músicos, cantores, produtores. A gente precisa de música, diversão, balé. E quero também fazer um agradecimento especial à Mariene de Castro que foi quem intermediou essa minha ida, estou muito contente. Desde o início do trabalho com Mariene há 20 anos, eu sempre percebi nela uma grande artista, de personalidade, coragem, e está me dando coragem de sair com esse disco, que já está em todas as plataformas digitais. Viva a música popular brasileira! Um beijo para todos e até breve.”

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