Tecidos africanos costuram história na Casa Brasileira

O próximo dia 17 de dezembro marca a abertura da Casa Brasileira, um espaço do Instituto Mpumalanga dedicado à arte e cultura em pleno centro histórico de São Sebastião, no Litoral Norte. Tombado pelo patrimônio histórico, o casarão colonial abre as portas para o saber por meio de exposições, palestras, encontros culturais, pockets musicais e até mesmo uma experiência gastronômica combinada com a vista do mar de São Sebastião.

Dentre as primeiras atrações desse novo espaço está a exposição Tecendo Histórias e Saberes do Continente Africano, com curadoria do Acervo África. A proposta de aproximação com a cultura africana se dá a partir do universo têxtil, trazendo tradições de diversas localidades da África preservadas desde muito antes do colonialismo europeu no continente.

Os tecidos africanos têm especial importância, pois carregam uma mensagem social e hierárquica. “Eles desempenhavam diversos papéis: de moeda de troca, marcador de prestigio e poder. Até os dias de hoje são parte constituinte das realidades africanas, seja na moda, na propaganda política ou em contextos rituais tradicionais. No vestuário, por exemplo, o pano que cobre o corpo atua como a  palavra, portando mensagens sociais”, detalha Luciane Ramos-Silva, antropóloga do Acervo África e uma das responsáveis pela exposição.

Os tecidos estão carregados de memória e historicidade que também se costuram com a história brasileira, cuja influência africana é indissociável de nossa formação cultural. A exposição também busca refletir sobre os processos criativos que envolvem a formação de tais tecidos como arte, além de trazer também um contexto de modernidade.

História e significados dos tecidos africanos estarão presentes na Casa Brasileira. Na imagem, mulheres da Tânzania| Foto: Acervo África

Tecendo Histórias e Saberes do Continente Africano será uma das muitas atrações programadas para a Casa Brasileira. A escolha de São Sebastião para receber esse espaço cultural não se trata de mera coincidência. A efervescência cultural da cidade aliada a diversidade de saberes reforçou esse encontro entre arte e cultura. O município do litoral paulista abriga representantes dos saberes caiçaras, indígenas e africano. Todos eles representados na nossa CASA, que não poderia deixar de contemplar toda cultura BRASILEIRA.

A Casa Brasileira passa a funcionar no dia seguinte a sua inauguração, das 13h às 21h, excepcionalmente em um segunda-feira (18). Nas demais semanas nossa programação cultural fica disponível para visitação de terça à domingo, nesse mesmo horário. No domingo de Natal (24) a Casa Brasileira não irá funcionar.